[Post #29] Entrevista com Gorium, do BLΛCK GOΛT CVLT – witch house nacional

Vozes do Underground
Entrevista com a one-man-band
BLΛCK GOΛT CVLT

   O witch house chocou o mundo, talvez antes por sua estética do que por sua sonoridade, e ganhou ligeira notoriedade em 2010 [I] – sendo rapidamente substituído, no trem do hype, pelo vaporwave. Talvez isso tenha sido antes positivo do que negativo – visto que muitos dos artistas desejavam permanecer nas sombras (alguns tinham títulos tão encriptados que mal era possível pesquisar sobre eles) e tampouco tinham grandes interesses econômicos. O resultado? Longe dos holofotes, os oportunistas logo caíram fora e apenas os artistas mais sérios prosseguiram com suas experimentações sombrias – o que em minha visão anticomercial da música evitou que o gênero se tornasse mais ‘leve’ para alcançar as massas.

   Devo admitir que não estou muito por dentro do witch house nacional, o que aliás lamento – mas ao conhecer o BLΛCK GOΛT CVLT senti uma grande satisfação mórbida, pois reconheci todos os elementos tradicionais do estilo; percebi estar diante de uma banda que poderia perfeitamente carregar a tocha do witch house adiante. Tive que juntar bastante coragem para conversar com o homem por trás da música, que para minha grata surpresa me recebeu super bem e discorreu longamente sobre a trajetória do cvlto.

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GM: Qual é a sua idade???
Gorium: 28 anos.

GM: O Black Goat Cvlt é relativamente novo, teve seus primeiros lançamentos em 2016.
Você teve outros projetos anteriormente???
Gorium: Sempre tentei várias coisas em outras áreas da música. Mas existem três que mantenho até hoje. Gorium (dark ambient/industrial), Halo of the Sun (industrial/ experimental) e o GHOS† GO▲† (witch house) – este último está num hiato.

GM: Você pode dizer, por favor, quando cada um destes projetos teve início???
Gorium:
Gorium: 2007
GHOS† GO▲†: 2014
Halo of the Sun: 2015

GM: Certo.
Você tem atuado sempre só ou já participou de alguma banda/teve outras pessoas envolvidas em seus projetos????
Gorium: Tive algumas bandas com outras pessoas, mas sempre mantive um banda solo como meio de não parar com a música. A banda Halo of the Sun, levo junto com uma amiga e mais um membro nas apresentações [ao vivo].

GM: Com três projetos na bagagem, por que você decidiu criar um quarto, o BLΛCK GOΛT CVLT?
Gorium: Em 2014 fui convidado por um amigo (Hewerton Sarx) para montar o GHOS† GO▲† e esta foi minha primeira experiencia com o witch house, acabei ficando apaixonado pelo gênero e após nossa banda entrar num hiato ainda fiquei na sede por criar mais músicas do tipo. Após dois anos resolvi tentar algo por conta própria, pra tentar sanar aquela vontade de compor coisas novas, e então no inicio de 2016 surgiu o BLΛCK GOΛT CVLT.

17360696_1758268514501579_88553540_nGM: O que exatamente te atraiu no witch house?
Gorium: Sempre gostei de fazer música com temática “sombria”, tanto que me foquei em compor dark ambient por muito tempo. Quando fui apresentado ao witch house encontrei neste gênero tudo o que eu já fazia anteriormente, no quesito sombrio, mas com uma batida nova pra mim, que me interessou muito. Logo que aceitei o convite do Sarx para formarmos o GHOS† GO▲† eu me vi diante de um gênero ao qual eu gostaria de me dedicar ao máximo.

GM: Quais foram as primeiras bandas/artistas/projetos que você conheceu?
Gorium: Ritualz (†‡†), Mater Suspiria Vision, White Ring, Salem e CVL† SH‡†.

GM: Quando surgiu em 2010, o witch house atraiu, ainda que ligeiramente, alguma atenção – mas logo voltou a ser algo bastante restrito. Suas páginas na Bandcamp costumam ter poucas informações, aumentando uma certa aura da mistério em torno do cvlto.
As artes são de sua autoria ou de artistas convidados???
Gorium: Não, eu mesmo faço todas as artes. Nos últimos dois LP’s (ΔΛЯҞ ĿĬGĦ† e ΛĿ ΛȤĬƑ) usei fotos de duas amigas minhas e produzi a arte final ΔΛЯҞ ĿĬGĦ†

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No próximo álbum estou pensando em fazer uma adaptação “live action” de uma ilustração de Gustave Doré, que é um artista que aprecio muito.

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arte não utilizada de Dark light

GM: Desde o princípio você tem contado com a participação de diversos convidados. Como tem se dado isso???
Gorium: Normalmente convido pessoas com quem tenho uma certa amizade ou alguém em quem vejo um certo potencial inexplorado para a música.
Trabalhamos em conjunto total na criação de cada música, trocando opiniões e ideias para que o trabalho final fique satisfatório para ambos.
Por ser algo que acontece à distancia, devido a todos os convidados até agora morarem em outros estados/cidades, acaba levando algum tempo para finalizar até mesmo uma faixa mais simples, mas sempre acaba saindo tudo bem.
Tenho em mente algumas pessoas para trabalhos futuros, pessoas que admiro dentro do mundo da música, mas por enquanto nada fechado.

https://blvckgovtcvlt.bandcamp.com/track/k-ep-k-feat-sacrelance-single

[confiram o ótimo single Keep looking, com vocais da Sacrelance]

https://blvckgovtcvlt.bandcamp.com/track/v-feat-santa

[escutem a hipnótica faixa ΔϘVƎЯʘП†Ǝ, com vocais de Santa]

GM: Eu pergunto porque facilmente me apaixono por vocais femininos e diante de participações marcantes eu sempre saio em busca de eventuais trabalhos solos – como no caso de Martina Topley-Bird, eterna parceira de Tricky, ou Butterclock, vocalista convidada do oOoOO.
No caso do CVLTO, eu encontrei a Sacrelance, sem dúvida ótima, e também, variando um pouco meu paradigma, o vocalista Santa, incrível – mas gostaria de saber sobre Lolita, que participou do EP W Ï Ŧ Ͼ H B Ï Ŧ Ͼ H.
Gorium: Lolita foi uma participação não planejada inicialmente, eu a chamei para fazer algumas gravações e por fim resolvi incluí-la no álbum. Ela nunca tinha feito algo do tipo e o resultado foi muito interessante, pois mesmo com a simplicidade de sua voz a música ficou melhor do que eu esperava. Diferente da Sacrelance, a Lolita acabou ficando um pouco no anonimato, mas tenho ideias futuras em que gostaria de contar com a participação dela.

Você citou o exemplo da vocalista do oOoOO, realmente quero chamar alguém pra ser meio que fixo em boa parte das minhas músicas e já tenho uma ideia.

GM: Ótimo saber!
BOREAL 2000 foi uma coletânea, certo?
Gorium: A Boreal 2000 foi um grupo que criei, junto com um amigo, pra reunir pessoas que tinham os mesmos gostos dentro da música, com maior destaque para o cloud rap, vaporwave, horrorcore e trap. O grupo foi crescendo e acabamos descobrindo vários músicos, então resolvemos fazer um trabalho maior, posteriormente o Santa e o Diego Betela resolveram montar um selo pra divulgar nossos trabalhos. Foi então que surgiu o Boreal 2000, na posição de selo musical.


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A garota da capa: inúmeras pessoas sonham com o estrelato, desejam de algum modo ser imortalizadas pela arte – e embora a TV possa ser o meio de comunicação mais cobiçado, existe um público que considera figurar na capa de um disco como uma oportunidade muito mais elevada. Eu conheci Rokayda em virtude deste fascínio por capas de discos: certo dia eu estava na page no Cvlto e encontrei seu perfil, com a ‘capa do disco’. Não pensei duas vezes: alguém que coloca uma capa do BLΛCK GOΛT CVLT em sua foto de perfil SÓ PODE ser uma pessoa legal. Qual não foi minha surpresa ao descobrir o contrário, que ela era a musa cuja fotografia fora escolhida para ilustrar o álbum! Para além desta distinção, recentemente foi anunciado que o Cvlto contará a participação da moça nos vocais:

GM: Aparecer na capa de um disco é, decerto, uma honra que muitos almejam. Como rolou no seu caso?
Rokayda: Bom, eu havia iniciado minha amizade com o Gorium há pouco tempo, pelo fb, e só nos falamos uma vez, até que em uma madrugada ele veio me perguntar se podia usar alguma foto minha na capa do novo EP, então ele escolheu a foto, editou e eu amei o resultado final – mas confesso que fiquei surpresa com o pedido, fiquei lisonjeada por ter minha imagem relacionada a um projeto tão maravilhoso. Depois disso nós passamos a conversar mais e mais.

GM: No caso, vocês se tornaram amigos naturalmente, pelas veredas variadas do destino, ou justamente em virtude do cvlto?
Rokayda: Bom, nossas primeiras conversas surgiram a partir daí, falamos muito sobre o novo EP, sobre as faixas, e em seguida naturalmente fomos abrindo novos assuntos, não só sobre música mas também sobre o dia a dia, e assim nos aproximamos bastante, tanto é que hoje ele é umas das pessoas mais importantes para mim.

GM:  Além de agraciar os fãs com sua beleza sombria, agora você irá celebrar pessoalmente o cvlto: como você reagiu ao convite para ingressar na banda?
Rokayda: Obrigada pelo elogio hahaha, eu fiquei muito surpresa, também um pouco hesitante, porque se eu escolhesse entrar eu estaria assumindo não só os vocais, mas também a responsabilidade, disciplina e o comprometimento com a banda. Tanto é que pedi um tempo para pensar no assunto e o Gorium, como sempre, foi compreensivo. Mas depois de pensar por algum tempo decidi que era isso o que eu queria fazer, me dedicar a algo que eu gosto, então acabei aceitando – e agora estou super feliz com nossas produções. É tudo novo para mim.

GM: E o que você pode nos dizer sobre a dinâmica de vocês, já concluíram alguma faixa?
Rokayda: Os trabalhos estão fluindo bem, estou tentando escrever bastante, gravando, fazendo vídeos, e sim, já temos faixas prontas, porém podemos fazer ajustes de última hora. Gorium e eu somos meio perfeccionistas nas produções, sempre queremos melhorar ou mudar algo.


(retomando a entrevista primária)

GM: Podemos dizer que 2016 foi um ano cheio, com diversos lançamentos. Como você avalia sua discografia?
Gorium: 2016 foi um ano bem surpreendente, varias coisas aconteceram principalmente no culto.
Desde a primeira música que fiz, venho lapidando cada vez mais meu som e deixando naquilo que me agrada. Tenho uma “pira” de que meu trabalho nunca está 100%, mesmo com as constantes melhoras. O EP ΛĿ ΛȤĬƑ foi um marco pessoal, posso dizer que me empenhei muito, além do normal, e o próximo álbum ficará no mesmo nível.

GM: Como você descreveria seu processo criativo? Quais são as etapas de composição e produção???

Gorium: É bem interessante falar sobre isso.
Posso descrever como Emocional e Ritualístico.
A etapa Emocional (composição) vem sempre em momentos inesperados, nunca consigo planejar/criar algo em determinado momento. Eu preciso sentir e expressar aquilo em forma de som e/ou letras, minhas composições fluem dependendo da minha situação mental. Normalmente componho diretamente nos softwares ou com instrumentos físicos (guitarra, violão, violino).
A etapa Ritualística (produção), após compor a base inicial/principal, vou criando a evolução da música. Dentro disso vou sempre fazer quatro coisas, que são praticamente um ritual: primeiro: eu sempre uso os mesmos instrumentos básicos; segundo: normalmente crio alguma arte visual pra complementar a música; terceiro: existe uma pessoa especial que avalia todas as músicas antes de serem divulgadas; quarto: existem, no máximo, 3 versões de todas músicas que já fiz. Após estes passos básicos me sinto pronto para finalizar e divulgar uma música.

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GM: Até o momento, o Cvlto tem buscado ficar nas sombras mesmo: é difícil utilizar a grafia correta nas buscas, o que dificulta o acesso. Ao que tudo indica, você não busca as massas.
Gorium: A intenção nunca foi buscar as massas. Acabei optando por aderir à estética rotineira do gênero (uso de caracteres unicode) para permanecer levemente inacessível, no inicio até pensei em usar apenas um simbolo como nome, mas posteriormente vim a desistir da ideia.

Acredito que essa saída para permanecer nas “sombras” ajuda a atrair quem realmente aprecia o trabalho. Infelizmente dificulta o acesso, porém tem seus pontos positivos.

GM: Também é nítido que você não busca fortuna: quando têm preços, seus lançamentos são caríssimos: U$666, U$999 – ao passo que todos os outros são ‘free’ – não são nem ‘pague quanto quiser’.
Gorium: Chega a ser até estranho, não quero atingir as massas e nem ao mesmo lucrar com isso. O que eu quero fazendo música?
Apenas quero um reconhecimento pelo que faço, de maneira sincera. Claro que pretendo futuramente preparar um material com preço simbólico (nada totalmente programado ainda), mas manterei sempre os downloads free. Muitos músicos/bandas que admiro seguem esse caminho, acredito que em parte isso me influenciou. Minhas ambições vão além de apenas dinheiro. Boa parte das vezes, fortuna só traz cegueira.

GM: Quais são suas fontes de inspiração???
Sei que esta pergunta pode parecer muito ampla, mas seria legal saber o que te inspira no geral (outras artes, a natureza) e também na música.
Gorium: Fora questões pessoais, me inspiro muito em coisas que levam um lado mais “obscuro” dentro da música, cinema, literatura, artes plásticas e performáticas. Também alguns temas dentro do ocultismo, sexualidade/fetichismo, sonhos/pesadelos, misticismo e até transtornos mentais.

GM: O que você tem escutado ultimamente???
Gorium: Tem 6 bandas que ando escutando muito. Pharmakon, Morphine, Atrium Carceri, Doom:VS , White Ring e Maldita. São bêm diferentes uma das outras.

GM: Existe alguma banda obscura, nacional ou de fora, que você gostaria de recomendar aos nossos leitores???
Gorium: Existe uma nacional de dark ambient, uma das minhas influências, é o tipo de banda que se mantém no anonimato. São poucos que conhecem a identidade do criador, infelizmente não sou um deles, sua música é interessantíssima e por vezes perturbadora. Minha indicação é o MAIESTI.
https://www.facebook.com/Maiesti/
https://myspace.com/maiesti

GM: O que o futuro reserva para o Cvlto???
Gorium: Esta é uma pergunta que não posso responder.
No momento, estou focado em materiais novos, incluindo clipes.
Mas o cvlto permanecerá mais vivo e intenso do que antes.

sserefefererereGM: Ótimo saber!
Encerrando, só tenho a lhe agradecer pela atenção e pela oportunidade de conhecer melhor sua produção artística!
Alguma mensagem para os fãs???
Gorium: Juntem-se ao cvlto.

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Assista ao primeiro vídeo do Cvlto.

Acompanhem os passos do Cvlto no fb.

Escutem e baixem seus álbuns na Bandcamp.

Conheça outros trabalhos de Santa em sua page na Soundcloud.

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[post #26] Entrevista com Semdó, horrorcore nacional

No dia 25 de dezembro o mundo será presenteado com uma caixa de Pandora sombria e ultrajante: o novo full album de Semdó, projeto de horrorcore 100% nacional. Acontece que antes de dirigir todo seu ódio contra a humanidade, Semdó teve uma interessante fase DSBM, com letras misantrópicas, melodias macabras e mesmo um tom atmosférico glacial – além de umas dissonâncias lo-fi de arrepiar. No começo de 2016, como uma espécie de despedida, o artista colocou toda a obra do Lado Oculto para download gratuito – e com o objetivo de contextualizar um pouco esta produção, o Gabinete Musical teve uma longa conversa com o jovem que está aterrorizando a população brasileira.

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GM: Qual sua idade atual???
Semdó: Tenho 18.

GM: Sério? Meu, vocês, jovens, são muito talentosos! Com 18 eu nem saía de casa…
Semdó: Sim hahaha geralmente as pessoas acham que eu sou bem mais velho. Fui meio precoce nessa parada de começar a produzir as coisas.

GM: Estou aqui, diante de sua antiga produção, e se eu tivesse que chutar, diria que seu primeiro lançamento foi o que tem um nome difícil, talvez finlandês?
Semdó: Minha primeira produção? Na verdade não, minha primeira produção foi o álbum Eterno Ciclo Suicida; o Vare Sjeler, pelo contrário, foi a ultima produção do Lado Oculto.

GM: Certo. Qual era sua idade???
Semdó: Na época eu devia ter entre uns 14/15 anos.

GM: E como se deu a produção do álbum? O que você tinha em mente, quais eram seus recursos?
Semdó: Antes desse álbum eu já havia produzido algumas coisas que não foram lançadas, à principio surgiu a ideia como uma necessidade de ter algo produzido pelas minhas próprias mãos, foi assim que surgiu este primeiro álbum. Eu queria expressar aqueles sentimentos e ideias e, de alguma maneira, fazer as pessoas ficarem chocadas. Os recursos eram literalmente muito baixos, eu gravei esse álbum com o microfone de uma webcam hahahaha.

GM: Sim, dá para notar que era bem lo-fi. Você fez tudo sozinho???
Semdó: Sim, eu tinha muito interesse por DSBM na época e já gostava de algo atmosférico e tenso, algo bem carregado. Continuar lendo

[post #024] Entrevista com Édy Leonardo, lo-fi sad soul nacional

Vozes do Underground
Entrevista com Édy Leonardo
lo-fi sad soul nacional

Édy Leonardo é mais uma das inúmeras figuras pouco conhecidas a fazer grande música na web. Sob o título de Happy Hearts, ele lançou um EP carregado de melancolia que me cativou no ato: Lost inside (que você ouvir e baixar aqui). Para além do tom sombrio de suas músicas, Édy é uma pessoa muito amigável e atenciosa. Trocamos muitos e-mails e aqui vocês poderão saber mais sobre ele:

GM: Em um futuro próximo você deve seguir com seu nome próprio ou devemos aguardar o surgimento de novos projetos?
Édy: Bem, cada um dos meus projetos tem sua própria identidade. O que carrego de um ao outro na sonoridade é a simplicidade das gravações, prezando o LO-FI (baixa qualidade), mas todos têm de fato uma conexão, a expressão melancólica, o sentir e um certo expurgo através das canções formam a essência que se encontra nelas.
O primeiro projeto Instrumental/Ambient propriamente dito foi o Nostalgia Infantil, exposto na internet em maio de 2015, porém em 2014 eu já havia gravado algumas canções mais como um teste, e até mesmo para expurgar emoções confinadas, digamos que foi um instante de explosão. A este projeto chamei de Dye Naleadoor, um anagrama para meu nome com uma letra ‘a’ a mais, pois achei melhor a pronúncia, rs.
A sonoridade não teve uma identificação clara, alguns disseram ser um Soft Depressive Black Metal, pois ficou “leve”, porém com letras focadas nos temas abordados pelo DSBM, e o EP intitulei de Pain and Thrash. Em 2015 criei um SPLIT com uma faixa deste projeto e outra de um projeto similar, porém com letra em português chamado ‘Sertralina 300mg’, que é o nome de um antidepressivo. E, por fim, neste ano ainda gravei um EP com 3 faixas, encerrando o projeto Dye Naleadoor; com o título Killed By Words, totalmente diferente do anterior, com uma sonoridade mais pesada, próxima então do DSBM puro, também com uma linha de Doom/Dark Metal. Divulguei apenas algumas canções desses projetos no YouTube e Soundcloud, porém eles podem ser baixados, completos, via 4shared.
No início de 2016, então, dei forma ao Happy Hearts, que segue a linha Instrumental/Ambient; e mais recentemente compus algumas canções numa linha Indie Folk, já com meu nome real, e com letras em português.
Mas como citei acima, há um encontro dos projetos despencando em mim, entidades separadas à primeira vista, mas unidas na essência. Eu não gosto de rotular nada, mas digamos que cada projeto é uma etapa, um momento de minha vida… essa seria realmente uma boa definição.
Muito provavelmente surgirão novos projetos, cada um com sua própria identidade. Usar meu nome próprio foi como encerrar um ciclo. Todos os projetos até o atual se entrelaçam de uma maneira e outra. Os novos trafegarão por caminhos diferentes, embora os sentimentos e as emoções certamente continuarão intensas, com a pitada de melancolia sempre presente. Continuar lendo

[post #016.66] Entrevista com a banda nacional de screamo/emoviolence/real emo Jovem Werther

VOZES DO SUBMUNDO

Entrevista com a banda nacional de screamo/emoviolence/real emo Jovem Werther

Em minhas [permanentes] buscas por sonoridades extremas [em especial com tons tristes ou depressivos] eu cheguei ao screamo [e ao powerviolence, na sequência] no ano passado – e, como sempre, logo comecei a procurar bandas nacionais defendendo o gênero. Em termos numéricos o resultado não foi dos melhores… mas em termos de qualidade! Nvblado talvez dispense comentários. Lado Esquerdo Vazio estava, e ainda está, em vias de despertar [e eu espero MUITO que isso aconteça AQUI]. E Jovem Werther… bem, quando eu cheguei a festa havia acabado – isto é, a banda tinha jogado a toalha. Achei aquilo muito injusto. Eu cresci na década de 80 e todos sempre vinham com aquela longa lista de bandas/artistas que perdemos, como Janis, Led, Doors e uma grande confraria de outros nomes. Com o passar do tempo a consciência das perdas aumentara: Joy Division, Cazuza. E com mais doses de tempo, estes grandes deuses do Olimpo musical deixam de ser as únicas estrelas que regem nosso destino – malucos como eu começam a se interessar por bandas/artistas/projetos menores, que talvez estejam tocando ali na esquina… E a Jovem Werther estava! Não era algo do tipo ‘nasci na década errada’ ou algo assim, foram umas 40 mil outras coisas… mas de toda forma, o som permanecia, claro…

Uns quatro meses depois, quando eu já havia dados os primeiros contornos a este espaço, resolvi escrever para os caras – afinal, se a página ainda estava lá alguém poderia ler. Minha ideia era fazer o necrológio da banda – contar retrospectivamente sua história, talvez divulgar alguma pequena anedota que, aparentemente, não fizesse sentido algum, mas que seria prontamente bem recebida pelos fãs, enfim, dar aos caras seu merecido lugar na história – esta banda que, como seu título sugeria, morreu jovem…

… e eu não apenas fui bem recebido, imediatamente, mas fui ainda surpreendido: eles estavam em vias de voltar à ativa! Eis que pequenos sinais de vida surgiram, na página da banda no FB: primeiro um vídeo e, poucas horas depois, o comunicado de que haviam voltado! Assim, ao invés de contar a história de banda que ‘havia se suicidado’, eu passei a acompanhar seu retorno!

Abaixo segue minha primeira entrevista com uma banda (!), feita [ainda] via FB. Como irão notar ao longo das perguntas as vozes se alternam, fiz o que pude para manter a conversa clara, espero que o resultado agrade os fãs…

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Acione a page da JW na Bandcamp e aperte o play!

5 de janeiro
Olá!
Procurei info sobre vcs na web mas não encontrei muita coisa – e sobretudo não encontrei nenhuma entrevista, nem anterior nem posterior ao post de encerramento.
Tenho um blog sobre música underground, bem pequeno, mas ficaria imensamente feliz em fazer uma entrevista, seja para falar sobre o fim do projeto ou não, tvz um histórico completo, sei lá, o que lhes parecer melhor.
Um abraço!
5 de janeiro
Jovem Werther
Olá, mano o/
Ficariamos muito felizes em ceder uma entrevista pra você. A banda está em estúdio passando os sons com um guitarra novo e logo logo vamos estar de volta com formação e material novo.

GM: Bom, galera então vamos lá.
Todo mundo sabe de onde vem o nome da banda, mas imagino que exista uma história, alguma dimensão conceitual envolvendo sua escolha. O que vcs podem nos dizer sobre isso???
(Ft vocalista): Na realidade é tudo muito simples cara, não existe conceito muito literário ou pseudo cvlt por trás da banda, consideramos a mesma o resultado de toda dor, catalisada em versos sonoros, eu mesmo nem me considero vocalista, boicoto qualquer tipo de palco, o que é expressado é somente o conjunto de vozes desesperadas por algo que as aflige.

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[post #013.1] Entrevista com o projeto nacional de blackgaze GRAY SOUVENIRS

Vozes do Underground

Entrevista com o projeto nacional de blackgaze GRAY SOUVENIRS

 

GRAY SOUVENIRS é um projeto nacional de blackgaze que pode facilmente adentrar a galeria de imortais do gênero. Ele não apenas tem um sonoridade incrível, com guitarras pesadas atacando belíssimas linhas de teclado, como tem ainda vocais poderosos, intensos momentos melódicos e mudanças de tempo bastante interessantes. Em menos de um ano GRAY SOUVENIRS já conta com três lançamentos (além de um faixa avulsa muito especial) que mostram um crescimento significativo e apresenta todos os sinais de uma música que está aqui para ficar!

Putrefactus, o jovem homem por trás desta verdadeira parede sonora, foi muito receptivo e amável durante nossos conversas via FB. Nós conversamos sobre seus projetos paralelos, seu processo criativo e também sobre o futuro do projeto. Mais importante: ele nos permitiu conhecer, em primeira mão, a arte e, com exclusividade, o primeiro single de seu próximo lançamento, o álbum Serena.

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Acesse a página do projeto na Bandcamp

 

Putrefactus: A Gray Souvenirs surgiu quando eu ganhei minha primeira guitarra como presente de aniversário, então pode-se dizer que ela nasceu no mesmo dia do meu aniversário, 4 de fevereiro – só que de 2015. Na sua primeira formação a banda contou com a participação de Skymning (guitarras base) que após o lançamento de Ventos da Transcendência veio a deixar o projeto. Primeiramente, tinha em mente fazer um som mais voltado pro blackgaze/DSBM, porém com o passar do tempo as composições tenderam mais pro lado blackgaze, shogeaze e post-black metal com influências fortes de Alcest, Amesoeurs, Les Discrets, Lantlôs, Shyy e …(DotDotDot).

GM: Vc teve algum projeto musical antes disso?
Putrefactus: Sim, chamava-se Putrefolah, era um depressive rock inspirando em Apati, Happy Days entre outros.

GM: Este projeto tinha interação física ou era apenas virtual? Ele rolou de quando a quando?
Putrefactus: Era virtual, teve apenas um lançamento chamado Fade Way Forever e durou de junho de 2014 até fevereiro de 2015, quando comecei tinha 16 anos.

GM: Por favor, conte um pouco sobre a formação do seu gosto musical.
Putrefactus: Desde criança nunca me contentei com as musicas que me eram apresentadas, sempre procurava outras, fui apresentado ao rock por amigos de colégio aos 9 anos ouvia Gun’s N’ Roses, Deep Purple, Bee Gees e outros artistas. Porém quando fui ficando mais velho fui descendo os degraus, se é que você me entende. Passei a ouvir new metal aos meus 10/13 anos, bandas como System of a Down, Korn, Slipknot. Através da internet conheci bandas novas e fui me inclinando pro lado do power metal e symphonic black metal, onde passei a ouvir Rhapsody Of Fire, Angra, Shaman, Sonata Artica e através dessas conheci as primeiras bandas de black metal, que amo até hoje, Dimmu Borgir e Cradle Of Filth, daí foi uma estrada mágica até o post-black metal/shoegaze, gêneros que mais ouço hoje e entre os quais se encontram minhas bandas favoritas: Alcest, Deafheaven, Slowdive, My Bloody Valentine.

Então eu fiz uma pausa e escutei algumas faixas avulsas de Putrefolah no YT.

GM: Pelo que pesquisei, o álbum do Putrefolah não foi lançado oficialmente, certo?
Putrefactus: Exatamente. Acho que não tinha qualidade suficiente, apesar de ter sido feito com bastante zelo.

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[post #010.1] Vozes do submundo: entrevista com TALV, black metal atmosférico italiano

Eu conheci o projeto Talv durante minhas perambulações digitais pelo YT e não pensei duas vezes antes de comprar uma cópia de seu último álbum, Üksildus [post #005] – palavra que significa ‘isolamento’, na língua estônia. E como eu sei disso? Bem, tomei uma boa dose de coragem e fui muito bem recebido por Andrea Talv, o homem por trás do projeto, cujo anonimato eu estava com medo de perturbar. Ele mora perto de Milão, na Itália, e nós conversamos por muitos dias, pouco a pouco, sobre sua música. Para essa entrevista muito especial ele gentilmente nos presenteou com algumas imagens inéditas!

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(foto oficial de Talv em sua página na Bandcamp)

GM: Bem, que o show comece!
Antes de Talv havia ‘Trees in The Fog’. Por quanto tempo? E por que ele cedeu lugar ao projeto atual?

Talv: Sim, o projeto começou como Trees in The Fog, havia também um logotipo e algumas canções prontas para uma demo, mas antes do lançamento eu decidi mudar o título para algo mais marcante. Talv significa ‘Inverno’, na língua estônia.
“Trees in The Fog” existiu entre o final de 2011 até o final de 2012.

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(logotipo inédito do projeto Trees in The Fog)

 

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